quarta-feira, maio 04, 2005

A Janela


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Ouvi hoje o nosso ministro da Saúde, Correia de Campos, falar sobre a descentralização dos serviços de saúde do ministério para 5 grandes zonas de saúde (Direcções Regionais)... Se for uma forma de agilizar o funcionamento dos serviços para o utente, tem o ministro Campos, uma moinante vénia...

se, pelo contrário, for como as outras descentralizações ou pseudo-regionalizações feitas pelos governos de Guterres e que serviam para "tachar" mais malta e mais nada, então cá me terá "à perna" para o "açoitar" (verbalmente, entenda-se...)

Com esta coisa de grande máquinas burocráticas, lembrei-me de uma história que em tempos recebi por mail e que achei deliciosa e que, descreve claramente o que são as instituições em Portugal...

Um determinado individuo adquiriu em Lisboa, na zona do Miradouro do Limoeiro (para quem não conhece, é em Lisboa uma das zonas com a vista mais bonita para o Tejo...), um apartamento, num prédio antigo.

Como um dos sonhos desse individuo era ter um quarto com vista para o Tejo, avaliou a sua compra por forma a ter uma janela com vista para o Tejo. Como esse tipo de apartamentos eram substancialmente mais caros, procurou um em que pudesse, mais tarde, poder abrir uma janela. E como essa casa tinha duas frentes, numa das paredes, bastaria abrir uma janela, e a sua vista para o Tejo estava assegurada.

Desde logo ciente dos calvários das idas à Câmara de Lisboa, projectos e mais projectos, licenças e trinta por uma linha, e para não correr riscos de coimas ou embargos, resolveu aconselhar-se com um seu amigo arquitecto sobre, de que forma e onde teria de se dirigir no sentido de obter as respectivas licenças e afins...

O seu amigo procurou dissuadi-lo pois a casa encontrava-se numa zona protegida da cidade e qualquer tipo de obras de alteração de fachadas seriam sujeitas a requerimentos sem fim, e terminariam, inevitavelmente, em indeferimentos...

Como a sua vontade era férrea e o seu sonho de ter uma janela com vista para o Tejo era quase uma missão, resolveu então falar com um velho amigo de liceu que trabalhava numa Câmara Municipal, que não sendo a de Lisboa, lhe poderia dar um eventual conselho, quiçá mais animador...

Esse seu amigo, vendo que a vontade de abrir uma janela era muita, relembrou-lhe uma máxima da matemática de quando andavam no liceu, que é

"menos, com menos, dá mais..."

E então disse-lhe:

- É simples...contratas um pedreiro e um profissional de janelas e pedes para que te façam a janela, num sábado ou num domingo, dia em que as inspecções são quase nulas ou mesmo nenhumas. Assim o teu risco de embargo ou multa é reduzido quase em 100%. Como a obra é pequena, terminam antes de segunda-feira, sem problemas...

- Então e depois? Não corro o risco de me virem fechar a janela?

- Pois é aí que o caso ganha piada - acrescentou - Na segunda-feira, logo a seguir à obra concluída, vais à Câmara Municipal e dás entrada de um requerimento para fazeres obras no sentido de fechar a janela que tens em casa ( a tal janela...)

- ??? Não entendo...??? Um requerimento para fechar a janela que eu fiz, à revelia???

- Exacto - disse o amigo, sorrindo - O que acontece é que, alguns meses depois, irás receber em casa um indeferimento do pedido, dizendo qualquer coisa como "ah, e tal, indeferimos o seu pedido pois o seu imóvel enquadra-se dentro de zona protegida da cidade, pelo que não é possivel proceder a alterações de fachada, blablabla. Assim sendo não poderá proceder ao fecho da janela, como solicitado, devendo a mesma permanecer com se encontra nesta data. O incumprimento desta ordem é passivel de coima até xxx euros, e blablabla"...

- Assim, - continuou o amigo - não só ficas com a tua janela feita, da forma que tu quiseres, como tens um documento da Câmara de Lisboa que te impede de fazeres obras para a fechar... ou seja, mesmo que venha depois alguém dizer que tens de fechar a janela, tu só tens de mostrar esse documento... Genial, não?...

Nota do Moinante:

como já diz o povo: "Albarda-se o burro à vontade do dono..."

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