sexta-feira, janeiro 21, 2011

Manila – Dia 4 – A suar como um “cavalo”…

Finalmente, o sol apareceu e com toda a sua força… Logo de manhã, assim que pusemos o nariz fora do hotel, o bafo quente da rua abafou-nos a respiração e fez com que o ar condicionado do hotel fosse um oásis distante …
Muito calor, sol abrasador e toda a gente na rua com sombrinhas abertas e a taparem as cabeças com tudo o que têm à mão – Livros, cartões, sacos de plástico, camisolas, lenços… o sol aqui nesta zona é muito forte e é muito comum ouvirmos na televisão ou na rádio a informarem que o sol é perigoso e que provoca inúmeras doenças de pele, como cancro e outras maleitas.
Por isso, e porque o sol é mesmo muito forte, toda a malta procura proteger-se do astro rei da melhor forma.
A noite foi bem descansadinha e nem o calor me acordou, e acabei por adormecer pela meia-noite e acordar à 8:00 da manhã. Bem fresquinho…
O dia de trabalho acabou por ser suave, pois estamos a ter um progresso bem bom, com a formação a ser realizada um pouco à frente do prazo, o que nos permitiu hoje ter um almoço um pouco mais alargado e aproveitámos para ir ao Mega Mall comprar as prendinhas para a família.

Antes fomos almoçar com a malta filipina a um restaurante chamado “Congo Grill”. Mais uns pratos tradicionais filipinos à base de carne de porco, chocos e uma espécie de amêijoas que estavam bem deliciosas. O prato mais estranho acabou por ser uma sopa de couves que tinha lá dentro… um bife… exactamente… um bife normal que é cozinhado dentro da sopa... mas que estava surpreendentemente bom. O outro mais estranho era um molho com umas peças de carne que acabei por não comer, e que, não sei porquê, fiquei desconfiado que teria algum tipo de carne de algum animal mais estranho, pois eles estavam algo risonhos entre eles sobre aquele prato. O meu colega ficou desconfiado que seria algum tipo de carne de macaco ou algo do género… Acabei por não provar pois encharquei-me em “bife na sopa” e não calhou… se me dissessem que era macaco ou cobra ou algo do género, teria provado de certeza…

Depois do almoço acabámos por ir então ao Centro Comercial para as compra numa loja chamada “Kultura Filipino” que é um espaço dentro de uma grande superfície denominada “SM” e que faz perecer um pouco o El Corte Inglés… No espaço Kultura Filipino comprámos alguns apetrechos tradicionais filipinos e que espero que a minha malta goste…
Tive de trocar mais dinheiro pois já estava curto de Php’s (pesos filipinos) mas achei os preços dos artigos bastante acessíveis tendo em conta o facto de serem coisas para turistas e que, sendo tradicionais poderiam ser um pouco mais "puxaditas…" mas não, tudo com preços bem normais.
Voltámos ao escritório pelas 15:00 e concluímos a tarde de formação pelas 18:00, com o calendário cumprido.

Ao final do dia, o céu escureceu rapidamente e começaram as trovoadas e alguma chuva, pelo que qundo saímos do escritório pelas 20:00 ainda apanhámos umas boas pingas de água.
Fomos jantar a um restaurante de grelhados onde comemos umas costoletas bem tenrinhas e um chá fresco tradicional (Ice Tea mas sem ser Nestea… era mesmo chá fresco…).
Acabámos a noite com uma pequena volta a pé pelas imediações do restaurante e até ao hotel, pelas 21:30, quando então finalmente fomos abordados por um taxista que nos perguntou se queríamos táxi para passear pela cidade. Como não estava nos nossos planos, acabei por lhe dizer que não queríamos ao que ele, ao bom estilo “pimp”, nos questionou logo de seguida:

“…and girls? You want girls? To massage you? I get girls to massage you…”

Claro que, à semelhança do passeio de táxi, também não estava nos nossos planos obter miúdas para nos massajarem. Aliás, sendo as nossas mulheres leitoras deste blog, nem poderia dizer outra coisa…
Assim, cabisbaixos e taciturnos, acabámos por recusar também o serviço oficial alternativo do Sr. Taxista e recolhemos, tensos e a pensar que deveríamos ter aceite a proposta do senhor…
E quando digo “aceite a proposta”, estava obviamente a referir-me, ao passeio de táxi proposto, claro…!
Mas pronto…
Amanhã é o último dia de trabalho em Manila e apenas nos resta depois o sábado que é o dia de viagem, onde temos avião às 11:35 da manhã, e que será apenas para acordar, apanhar o táxi e toma lá mais 20 e tal horas de avião que até “incha”…
Por isso, amanhã à noite escreverei o último capítulo deste livro “Manila” referente ao dia de sexta feira cá nas Filipinas, viajo no sábado e depois só no domingo poderei actualizar aqui no moinantes a viagem de volta a Portugal…
Vamos ver se amanhã encontramos o tal taxista de novo… apetecia-me mesmo… dar uma voltinha de táxi… claro!!

Abraços Moinantes

quinta-feira, janeiro 20, 2011

Manila - dia 3 – Já Chove…

Apesar do inicio algo turbulento deste dia, a acordar à 3:30 da manhã, as coisas não foram tão sonolentas como esperava.

O dia amanheceu hoje bastante cinzentão em oposição com o dia solarengo de ontem e pingou umas gotitas no caminho para cá, ainda de manhã… no entanto ainda não foi preciso chapéu de chuva.

Quando fomos almoçar (hoje foi outra vez Mcdonalds… é o mais perto e sobretudo, o mais rápido…) o sol até se mostrou por largos espaços, mas por volta da 14:30, caiu de novo uma chuvada das fortes. O céu está outra vez carregado de nuvens e o tempo cinzento e chuvoso.
Mesmo depois de uma noite mal dormida, a manhã até correu bem, ao que não foi alheio um forte café ao pequeno almoço, e uma tarde que também correu de uma forma bastante lúcida, resultado de uma forte “cafezada” no Starbucks Café a seguir ao almoço.

À noite, acabámos por ir jantar com o P.C. (um dos nossos colegas filipinos) a um restaurante persa chamado Arya Persian e que fica onde??... Claro, num centro comercial. Este um novo, chamado Promenade Mall.
É um centro comercial ligeiramente diferente dos outros pois é mais pequeno e tem espaços externos com restaurantes e lojitas (assim tipo Freeport ou Guia…). Infelizmente o tempo continuou de chuva e acabámos por ter de jantar na sala interior. A comida era fantástica e foi um jantar bastante agradável.
Perto deste centro há também um mercado tradicional que tentámos visitar, mas infelizmente já estava encerrado (fechava às 21:00…)e que tive pena pois fez-me lembrar as tendinhas da feira dos indianos na Praça de Espanha em Lisboa, mas em tamanho XXXL… centenas delas!! Paciência, pode ser que ainda dê para cá voltar outro dia até irmos embora…
Este Promenade Mall é um centro comercial com um conjunto de lojas e restaurantes um pouco mais “carotes” que são utilizados sobretudo por malta com um nível um pouco mais alto, para jantares de negócios ou ocasiões especiais. Tem um parque de estacionamento gigante onde se fazem eventos especiais com por exemplo combates de boxe (os filipinos são grandes adeptos do boxe e têm um tipo que é campeão de boxe e um dos desportistas mais conhecidos do país – uma espécie de Cristiano Ronaldo das Filipinas…) e que segundo o P.C., sempre que há um combate, o parque fica completamente cheio de gente...

...milhares e milhares de filipinos a gritar com dois tipos aos murros um ao outro, dentro de um ringue… ui… MEDO!!!

Como fomos de carro, acabámos por dar uma pequena volta de carro pela cidade e conseguimos sentir um pouco melhor o palpitar da cidade, como a loucura do trânsito onde toda agente apita que nem loucos, toda a gente muda de faixa sem ligar a traços contínuos, as passadeiras são meros riscos no chão, pois os carro não só não param nas passadeiras com ainda, se tentarmos atravessar assim mais à força, mesmo na passadeira de peões, os carros apitam e “apertam” com o peão para o forçar a sair da estrada rápido.


Os transportes na cidade são feitos através de pequenos “calhambeques” compridos e pequenas minivans de transporte comum, que vão andando e parando pela cidade, aparentemente sem qualquer padrão mas que devem ter uma maneira das pessoas saberem de onde vêm e para onde vão… Aparentemente, são para consumo apenas dos locais… Existem também alguns autocarros dos “normais” mas que são autênticos ferro-velho ambulantes, sem luzes atrás ou à frente, mas claro com umas boas buzinas… sim, que isto para buzinar, não há como o Filipino… sempre a apitar, sempre a apitar…


À volta da zona de Pasig as ruas são todas amplas e iluminadas mas assim que nos afastamos dos edifícios mais altos do centro empresarial de Ortigas Center (que é onde estamos alojados), as ruas tornam-se um pouco mais escuras e estreitas, a casas e prédios mais baixos e com um ar um pouco mais degradado, mas nem mesmo nesses locais me sentiria demasiado inseguro, pois há sempre gente a passar.
Segundo nos disseram, a população filipina ronda qualquer coisa como 90 milhões de habitantes para qualquer coisa como 300.000 km/quadrados… Uma densidade populacional de perto de 300 pessoas por metro quadrado!!!
Assim acaba por ser difícil estar a sós com um assaltante… :-))))))

O que nos aconselharam foram as regras do senso comum - que que evitássemos locais escuros e parques de estacionamento à noite e, sempre que andássemos no passeio, procurar andar sempre mais perto da extrema do passeio junto à estrada pois assim evitávamos a probabilidade de nos encostarem a uma parede ou a um prédio. No entanto, os filipinos são normalmente pequenos e magritos, o que certamente limita um pouco os bandidos a realizarem assaltos a gente mais fraca que eles, ou seja, normalmente, mulheres. Como nós aqui somos um “matulões” ao pé deles, certamente que somos uma presa pouco agradável pois ainda poderiam acabar “sovados”…

Voltámos ao hotel pelas 22:30, cansados pela noite anterior mal dormida e com a esperança que a noite que se avizinha seja mais descansada… Veremos…

Abraços Moinantes

quarta-feira, janeiro 19, 2011

Manila - dia 2 (e meio) – Entrando na onda...


Hoje foi um dia sem grandes novidades… pelo menos novidades para escrever aqui no Moinantes…

Acordámos cedo, pequeno-almoço e escritório.Um dia mais solarengo que os anteriores e consequentemente, bem mas quente... muito humido e transpirar que nem uns cães

Almoçámos no Mcdonald’s (sim, já estava a ressacar…) em 30 minutos, voltámos ao escritório e saímos às 19:45…
A nível de trabalho, aí sim… muita coisa nova…
Para situar a razão da minha visita a Manila, pois até apenas fui dizendo que vinha para cá em trabalho, mas nunca detalhei o que cá vim fazer, estou cá para ter formação.
Actualmente trabalho para uma empresa em Portugal que tem um contrato com uma multinacional americana fabricante de equipamentos de meios de pagamento, concretamente terminais de pagamento automático, (vulgo, TPA) e que são nada mais nada menos que os comuns terminais de pagamento multibanco que encontramos em restaurantes, lojas, supermercados, etc. Não confundir com ATM (as caixas multibanco) pois essas são uma coisa à parte.
Desde há alguns meses a esta parte estamos a realizar um exigente processo de certificação junto da SIBS que é entidade que gere os todos processos transaccionais entre os clientes, os bancos e tendo como meios, os cartões e os equipamentos (TPA’s e ATM’s). Para colocarmos o nosso equipamento no mercado português é então necessário passar uma quantidade enorme de exigentes testes de segurança e com regras protocolares muito exigentes e complexas
Não é de todo perceptível ao "comum mortal” e utilizador de equipamentos de pagamentos a complexidade de processos que estão envolvidos num projecto como este. A complexidade das especificações que são exigidas e todo o enquadramento que está inerente fazem com que tenha que ser desenvolvido, para os equipamentos em questão, programas (software) que vão realizar todo um manancial de operações como por exemplo, ler o cartão (crédito ou débitom chip ou banda magnética), estabelecer as comunicações (através de linha telefónica, serviços móveis ou comunicações IP), recolher os dados da informação que recolhe e encriptar os dados para que estes sejam transaccionados de forma segura (o caso do PIN do cartão…), etc, etc, etc…
Para esse desenvolvimento, e por razões de mercado (preços, claro…) recorremos assim à equipa de desenvolvimento da “empresa mãe” que fica então situada aqui em Manila.
Como já disse atrás, este projecto foi iniciado há já alguns meses e o processo de desenvolvimento foi todo realizado antes de eu me juntar à equipa, e eu “apenas” iniciei a minha participação na componente que se reveste de algum detalhe (e “detalhe” quer mesmo dizer DETALHE…) e que é a fase de validação dos requisitos ou fase de testes.
Esta fase de testes foi quase toda realizada em Portugal pois os testes com o equipamento GPRS (que funcionam com um cartão de telemóvel para realizar as comunicações), só podem ser feito em Portugal. No entanto, os eventuais erros e consequentes solicitações de correcções, eram reportadas à equipa de desenvolvimento aqui em Manila. Assim, devido à diferença horária de 8 horas (7 horas em horário de Verão) entre Portugal e Filipinas, causava sempre algum atraso no report e acesso às correcções.
Por exemplo:
Se estivesse a realizar testes até às 19:30 do dia 1 em Lisboa (03:00 AM em Manila), teria que os reportar ainda nesse mesmo dia durante a noite para que, quando fosse dia 2, 9:00 AM em Manila (dia 2, 01:00 em Lisboa), a equipa de desenvolvimento pudesse realizar as alterações durante a nossa noite em Portugal. Quando eu chegasse à empresa no dia 2, 09:00 AM em Lisboa (dia 2, 16:00 em Manila) tinha apenas uma intervalo de 2 horas para poder trocar mails ou telefonemas com eles no sentido de esclarecer alguns pontos que não tivessem ficado claros no meu report e que necessitassem de melhor esclarecimento. E assim, só no dia 3, 09:00horas de Portugal teríamos as correcções feitas… como só podia agendar sessões de testes com 24 horas de antecedência só voltaria a realizar testes, no dia 4, às 09:00, em Lisboa… E com isto, já lá iam três dias…
Para minimizar estes tempos no futuro, o que pretendemos então é, para efeitos de manutenção, absorver o desenvolvimento na vertente de novas implementações e manutenção da aplicação em Portugal com uma equipa de desenvolvimento local em Portugal e, para esse efeito, é necessário recebermos a formação da programação realizada pela equipa de desenvolvimento cá nas Filipinas.
Ainda tentámos que fosse um dos elementos da equipa de desenvolvimento das Filipinas a Portugal, mas vocês nem fazem ideia da burocracia que era. Ficou mais rápido e pouco mais caro virmos cá nos à Ásia que mandar um Filipino a Portugal… Enfim…
E pronto, basicamente foi assim que cá vim parar e é assim que cá estou.

À noite jantámos no Podium um Pato no Forno (tipo Pato à Pequim do chinês) que estava bem delicioso. Ainda parei na Farmácia para comprar repelente de mosquitos (o meu ia a meio e acabou-se…) e chegámos ao hotel pelas 21:00.

Mais uma vez totalmente cansados, acabei por ligar a televisão na Fox para ver os “Ossos”, mas nem cheguei a meio do episódio e acabei por adormecer ai pelas 21:30…
Como é óbvio, que dorme 6 a 7 horas por noite e se deita às 21:00… às 3:30 da manhã estava acordado e sem sono, a jogar solitaire no IPod…
(Já no dia 3 de Manila...)

depois da noite acordado desde as 3:30, levantar às 8:30, banhoca, vestir, pequeno almoço e agora cá estou de novo no escritório para mais um dia de formação…

Veremos como vai ser este dia, especialmente a seguir ao almoço… De certeza mais um dia de Halteropalpebrismo… uff

Abraços Moinantes

terça-feira, janeiro 18, 2011

Manila, dia 1 – Trabalhinho é que é bom…


O jetlag acabou por se dar um pouco mais forte hoje. Acordei cedo devido à minha consistente estupidez pois deixei o despertador do telemóvel ligado para as 5:00 da manhã (hora a que acordei no dia da saída de Lisboa).
Resultado: Acabei por não dormir o que devia e acabei por passar o dia todo “queimadinho” a fazer levantamento da pálpebra, especialmente após o almoço.

O tempo está mais ou menos como ontem (nublado mas não demasiado quente, talvez uns 28º C / 30º C).

Saímos do Hotel pelas 9:00 pois ainda tinha que encontrar o edifício do escritório da empresa, mas acabou por ser uma agradável surpresa, uma vez que fica a 2 minutos a pé do hotel, utilizando a porta das traseiras. Se saíssemos pela porta da frente, teríamos de contornar o quarteirão e assim demoraríamos muito mais (talvez uns 5 minutos… :-))) )
Encontrámos um cafezinho junto ao edifício do escritório (Coffee and Donuts) onde tomámos o pequeno-almoço e começámos a trabalhar pelas 9:30.
Finalmente encontrei cara a cara a malta com quem tenho trocado infinitos mails de trabalho e não deixa de ser curioso o facto das ideias que acabamos por gerar no que respeita ao aspecto de uma pessoa com base apenas na sua voz ( um pouco à imagem dos locutores de rádio, que quando os vemos na televisão ou numa foto, acabam por ser pessoas tão diferentes daquelas que imaginávamos…)

O P.C. e o J.T., os colegas filipinos, receberam-nos com toda a simpatia e foi bastante agradável começar a trabalhar com eles aqui.

Fomos almoçar ao centro comercial The Podium ao Banana Leaf que é um restaurante de comida asiática (tipo Singapura e indonésia, não particularmente filipina…) onde comemos uma quantidade de comida exorbitante. Com habitual em mim, deixei ao cuidado do P.C. a escolha dos pratos uma vez que ele é que sabe o que é bom e o que nós poderíamos gostar ou não. Acompanhado de uma bela água de coco, a comida estava deliciosa.

O centro comercial The Podium, fiquei eu a saber, é um centro comercial do tipo gourmet, ou seja, as lojas e os restaurantes são para uma classe mais alta e os seus preços são mais elevados. Segundo eles, caso pretendamos comprar prendas para levar, o Mega Mall é mais em conta pois é um centro comercial bem mais para a classe trabalhadora, ou seja, bem adaptado a mim… Não se pense no entanto que se trata de um centro comercial da "tanga"… é um centro comercial à imagem de um Colombo ou Almada Forum, com tudo bem amplo e limpo. Até à três anos atrás, o Mega Mall era o maior centro comercial da Ásia, mas agora é o sexto maior, uma vez que os chineses e restantes vizinhos são completamente loucos por centros comerciais gigantes.

De volta ao trabalho da parte da tarde, sofrendo de tonelagem palpebriana (ou seja, um peso gigante no olhos que dificultava a abertura dos mesmos…) lá levámos a tarde de formação com tranquilidade.

A sala onde ficámos no escritório tem um vista privilegiada sobre Pasig (zona de Manila onde estamos…) e o 17º piso acaba por nem ser muito alto em relação aos enormes edifícios que nos rodeiam. Rodeado de edificios e parques de estacionamentos, mas não deixa de ser uma vista bem interessante quando olhamos para as montanhas ao fundo.

À noite, o P.C. marcou novo jantar para, e para não variar, num outro Centro comercial a 15 minutos do escritório chamado Shangri-la, num restaurante chamado Sumo Sam. Este Centro comercial é também, à semelhança do The Podium, um centro comercial para pessoas mais abastadas se bem que para mim, parecem-me todos iguais: gigantes e cheios de gente…
Ao jantar já contámos também com a presença do colega filipino C.O., que esteve fora do escritório e que só voltou ao final do dia. Simpático como todos, foi mais uma agradável companhia.

Assim, boa companhia, boa comida e uma troca de experiências de particularidades de ambos os países de origem assim como as diferenças culturais que acabamos por ter, encontrámos no entanto um ponto em que na realidade não diferimos tanto assim: a corrupção da classe política, assim com a sua “cara de pau” com situações de problemas com a justiça.

Depois de vários anos a serem “geridos” pela família Marcos (quem não se lembra da história da sua mulher Imelda Marcos que se encontra no guiness book of records como a dona da maior colecção de sapatos do mundo – 3000 pares de sapatos.), a classe política tornou a ter problemas com casos de corrupção com o presidente Joseph Estrada, deposto devido a um caso de corrupção após ter questionado um alto responsável da comissão de eleições no sentido de tentar obter informação sobre o estado das contagens de votos…

Actualmente, existem diversos senadores com casos de corrupção pendentes, mas que mesmo após penas de prisão efectivas e escutas telefónicas publicas, não abandonam a vida política e mantêm-se no poder, sendo votados pelo povo…

Onde é que eu já vi isto?!?


Voltámos para o hotel pelas 22:00, caminhando tranquilamente pela rua, junto ao Mega Mall, atravessando a rua junto a St. Francis Market (o mercado da pirataria, segundo J.T….) onde poderemos encontrar filmes em DVD por 40 Phps (menos de 1 euro…) bem como software pirata, roupa e outros afins… assim a "Feira do Relógio" cá do burgo… Tenho de lá passar durante o dia para dar uma vista de olhos e ver se trago alguma coisa que valha a pena...

Já no quarto, estoirado, deitei-me na cama, vestido e tudo, e acabei por entrar em “modo de suspensão” após pouco mais de 30 segundos… no entanto, muito a custo, ainda consegui levantar-me para me despir e deitar-me convenientemente, antes de fazer o “shutdown” final do dia…

Amanhã há mais…

Abraços Moinantes

segunda-feira, janeiro 17, 2011

Manila - Dia 0 - A chegada.

Bom, depois de uma interminável viagem de que começou às 5:45 da manhã de sábado em Lisboa e terminou às 11:00 de domingo (TMZ Manila – 03:00 TMZ LIS), num total de 22 horas de viagem, eu e o B.V. (o meu colega de trabalho que me acompanha nesta viagem…) chegámos ao hotel e descansámos um pouco.

Entrada em Manila, no aeroporto, sem grandes complicações, apenas uma longa fila de espera na alfândega, que acabou por ajudar no evitar esperar pelas malas. Quando chegámos ao tapete, já lá andava a “laranjinha“, tonta de andar às voltas…

Trocámos algum dinheiro para o táxi e algum pocket Money (100 € cada…) que deu qq coisa como 5300 Pesos (Php). O câmbio estava a 58 php por 1 €, pelo que as contas são fáceis. O dinheiro tb é fácil de entender e como não há fracções de pesos (tipo cêntimos ou centavos), até as moedas são fáceis, pois o seu valor facial numerário corresponde ao seu valor em pesos. (ao contrário da Europa com o €, que temos moedas com valores faciais de 10, 20 e 50, mas de cêntimos de €uro…)

A viagem de táxi correu sem problemas (300php a viagem – 5 € mais ou menos…) e sem trânsito, pois é fim de semana (domingo). Mas deu para ver um pouco das diferenças que existem com as zonas circundantes do aeroporto (mais pobre, com as célebres casas na água e os autocarros típicos das Philipinas, uma espécie de calhambeques com bancos compridos e corridos, enfeitados com cores, fitas e outras bugigangas…) e a zona onde estamos hospedados, mais central e mais cosmopolita, igual a tantas outras cidades do mundo, com hotéis, centros comerciais e zonas de edifícios de negócios onde saltam à vista os neons das maiores empresas do mundo inteiro…

As pessoas em Manila falam normalmente o inglês (apesar da língua ser o Tagalog…) e são extraordinariamente simpáticas. Desde as pessoas no aeroporto, o taxista, as pessoas do hotel, empregados de restaurante, policias… sempre com um sorriso e muito simpáticos.

No hotel, depois de abrir malas e descontrair um pouco, da parte da tarde, saímos um pouco para esticar as pernas e ao mesmo tempo tentar acertar o jet-lag que ainda nos afecta, para que amanhã, segunda-feira esteja minimamente aptos a trabalhar.

Aproveitámos para dar uma volta por um centro comercial em frente ao hotel, chamado The Podium, que é apenas um pequeno centro comercial de 4 ou 5 pisos e umas dezenas de lojas. Almoçámos por ali um hamburger, consumado com um expresso no Starbucks Café.

Caminha-se tranquilamente pelas ruas da cidade (pelo menos por onde andei hoje, aqui à volta do hotel…) sem uma grande sensação de insegurança que pudesse estar patente numa cidade com um nível de pobreza tão grande. Mantenho os meus habituais níveis de alerta (vicio dos tempos de Angola…), mas nada que se compare à sensação “abafante” que senti por exemplo quando estive em Luanda.
Abafante sim, e muito parecido com Luanda, é o clima. Temperaturas durante o dia a rondar o 33º C mas com humidades relativas superiores a 80%. O ar “pesa”, custa a respirar e o suor salta dos poros assim que saímos do conforto dos ares condicionados.

De volta ao hotel e depois, uma pequena sesta à tarde para repor os níveis de descanso (já estava com o raciocínio “toldado” e as como dizem os Clã “as palavras custam a sair…”) acordei bem melhor e mais fresquinho.

Pelas 19:30 saímos de novo um pouco e fomos dar um passeio a um outro centro comercial que fica uns dois quarteirões do hotel (sim, muito shopping, mas isto não há muito mais, para já, para ver… ainda é o dia zero, né? Vamos ambientar primeiro e depois logo alargamos horizontes, se o trabalho o permitir…)

Quando me referi ao Centro comercial The Podium como um pequeno centro comercial de algumas dezenas de lojas, refiro-me “pequeno” quando comparado com o gigante MEGAMALL, um gigantesco centro comercial que se encontra nas traseiras do The Podium e que é um abuso: 5 pisos e centenas de lojas. Cada piso deve ter um 200 ou 300 metros de comprimento e a coisa é mesmo em grande. Todo o tipo de lojas ocidentais (roupa, sapatos, comida) e por momentos, não fosse a quantidade de filipinos que por ali passavam sozinhos ou com as suas famílias, diria que estava num qualquer centro comercial de Portugal…
Acabámos por passear um pouco por lá e jantámos no Bistro da Pizza Hut, uma bela pizza Romana e uns pães de queijo e atum, muita bons mesmo. Jantar por 670 php (11 euros para duas pessoas, com pizza média, duas bebidas e os pães…): preço perfeitamente normal e ajustado à nossa realidade…

Voltámos ao hotel já passava das 20:30, já noite, mas caminhando tranquilamente, com muita gente nas ruas e sempre com uma sensação de segurança e tranquilidade.

Agora, são horas de ó-ó, pois amanhã começa a razão efectiva porque estamos aqui: Trabalhinho, que é bem bom…

Veremos o que nos reservam os próximos dias… falamos depois

Abraços Moinantes

sexta-feira, janeiro 14, 2011

Manila - Dia -1




Bem...

- Mala feita (a célebre mala cor de laranja fluorescente...)
- PC preparado e "artilhado"
- Bilhetes e Passaporte
- máquina fotográfica carregada e cartão SD limpinho (espaço para 5000 fotos...:-))) )


Agora resta-me descansar bem pois deitando-me hoje à noite, se não houver stresses com os voos, só devo ver cama 20 e muitas horas depois

Entretanto

Estive a ver o clima e:

Manila - fim de semana
Ceu predominantemente nublado, temp 27º a 32º, 80% humidade.

Resto da semana:
temperaturas e humidades iguais, porém, Trovoadas com fartura e alguma chuva...

Bom, presumo que praia está fora de questão... :))
Bom, espero pelo menos que a viagem corra sem sobressaltos (atrasos e afins...) e que consigamos chegar a Manila a horas de podermos acertar o jet-lag, para 2ª feira estarmos minimamente funcionais para trabalhar...
Amanhã vou contando mais novidades...

quinta-feira, janeiro 13, 2011

Viagem ao outro lado do mundo... - Manila, Filipinas


Pois é, como diria o homem dos carrinhos de choque das festas lá da vila - "Mais um ficha, mais uma voltinha..."...


Desta vez, o destino leva-me ao outro lado do mundo (mais ou menos...)...


- Manila, Filipinas.


Desta vez, e ao contrário da viagem a Angola, a estadia é bem mais curta - apenas uma semana. Em trabalho, novamente, parto neste sábado e volto no próximo...


Até aqui tudo bem... mas quando olhamos para o percurso e o tempo que levamos... uff!


Lisboa => Amesterdão - 3 horas

Amesterdão => Manila - 13 horas

Manila => Amesterdão - 14 horas

Amesterdão => Lisboa - 3 horas


Sem contar com os tempos entre ligações, estamos a falar de qq coisa como 33 horas de avião em 8 dias...


Mas pronto, certamente ai valer a pena.


Em termos profissionais, vai ser esgotante pois vou estar pelo menos 8 horas por dia permanentemente ocupado.
Em termos particulares, como chego no domingo de manhã (é verdade que cheio de Jet-Lag...) vou tentar aproveitar o dia para recolher "dados" e tentar conjugar o trabalho durante o dia e algum lazer depois do trabalho... assim talvez só à noite dê para dar um giro pela "vila", mas como ainda não sei bem onde fica o hotel nem como são os acessos para o centro e afins, vou esperar para ver... sei que não é propriamente perto do centro (talvez uns 40 minutos de carro) mas está sempre tudo muito dependente de como me poderei movimentar na cidade (metro, táxis, segurança, etc...). Conto com alguma colaboração local para me servirem de anfitrião...
Veremos...


Assim, apenas falta arrumar a mala, preparar a máquina fotográfica e vamos à aventura...


Vou tentar postar algumas coisas (fotos sobretudo, se me for possivel...) durante a estadia e por isso não deixem de acompanhar aqui pelo Moinantes...


Abraços

terça-feira, janeiro 11, 2011

O Vendedor de Automóveis...


Era uma vez um aldrabão que daria um excelente vendedor de automóveis que decidiu ser Primeiro Ministro.

Conclusão:

Perdeu-se um óptimo vendedor de automóveis e ganhou-se uma merda de um primeiro-ministro.

Esta é a conclusão da magnifica entrevista de Henrique Neto ao "Jornal de Negócios", que aconselho vivamente a todos lerem AQUI e que deixo algumas passagens com alguma pérolas de alguém que não tem "papas na língua" nem vontade de dar "jeitinhos"...

"Uma vez, fui a um debate em Peniche, conhecia o Sócrates de vista. Isto
antes do Governo Guterres. Não sabia muito de ambiente, mas tinha lido umas
coisas, tinha formado a minha opinião. O Sócrates começou a falar e pensei:
"Este gajo não percebe nada disto". Mas ele falava com aquela propriedade
com que ainda hoje fala, sobre aquilo de que não sabe [riso]. Eu, que nunca
tinha ouvido o homem falar, pensei: "Este gajo é um aldrabão, é um vendedor
de automóveis". Ainda hoje lhe chamo vendedor de automóveis."

(...)

"Quando se pôs a hipótese de ele vir a ser secretário-geral do PS, achei uma
coisa indescritível. Era a selecção pela falta de qualidade. O PS tem muita
gente de qualidade. Sempre achei que o PS entregue a um tipo como o Sócrates
só podia dar asneira."

(...)

"Estudei um pouco da história portuguesa, nomeadamente dos Descobrimentos;
fizemos erros absurdos. Um dos erros é deixarmo-nos enganar, ou pelos
interesses, ou pela burrice. O poder, os interesses e a burrice é explosivo.
Descambámos no Sócrates, que tem exactamente estas três qualidades, ou
defeitos: autoridade, poder, ignorância. E fala mentira. Somos um País que
devia usar a inteligência e o debate para resolver os problemas, e temos
dirigentes que utilizam a mentira e evitam o debate."


(...)

"Não tenho nada contra José Sócrates. Se ele se limitasse a ser um
vendedor de automóveis, ser-me ia indiferente. Mas ele é o primeiro-ministro
e está a dar cabo do meu País. Não é o único, mas é o mais importante de
todos."

sábado, outubro 30, 2010

O fado da mãezinha...

"O Fado da Mãezinha", tal como amigavelmente tantos dos meus pobres ouvintes de noites de copos, fados e guitarradas o titularam, tem sido um exlibris do meu fraco e lamentável reportório...

Nota literária:
Esta última frase é um exemplo do que em literatura se designa por um pleonasmo vicioso... ou seja, ao referir-me a "meu reportório" seria mais que suficiente para que se tornasse desnecessário de o adjectivar de "fraco e lamentável"...
Fim de nota

Este faduncho entrou na minha vida quando eu tinha os meus 5 ou 6 anitos através de uma pequena cassete branca de fados que os meus pais tinham em casa e que eu ouvia num pequeno rádio cinzento da Normende do meu pai. Como a nossa única fonte de música nessa altura era a rádio que passava a música que eles queriam e não a queríamos ouvir e que mais interactivo que podíamos ter era o "Quando o Telefone toca!", a capacidade de ter uma cassete que tocava a música que eu queria, quando eu queria, era um clímax (ainda que não soubesse o que isso era, sabia bem...). E mesmo que a cassete fosse de fados, era um momento mágico para mim... (agora imaginem se fosse do José Cid ou do Paco Bandeira... ui,ui...)

Mas adiante...
Apesar de felizmente o meu lar ser abençoado e de não haver cenas de pancadaria entre os meus pais, gostei sempre muito deste fado pois era cantado com uma mágoa e com uma dor que até uma criança de 5 ou 6 anos achava que aquilo tinha ali qualquer coisa de mágico.

Os anos foram passando, a cassete branca desapareceu por entre as restantes cassetes do meu ZX Spectrum e apenas ficou a memória. A memória da letra e da música. E quando comecei a tocar guitarra com os meus 16 anos, nunca me passou pela cabeça tentar aprender "o fado da Mãezinha", mas os anos passam e com alguma (pouca...) técnica, acabei por me lembrar da melodia e da letra do fado e comecei a tocá-la e a cantá-la em reuniões de amigos e familia.

O momento supremo acabou por se dar quando, numa passagem de ano, uma amiga se desfaleceu em lágrimas enquanto cantava o fadinho... ainda hoje não sei ainda se tal se ficou a dever ao tom triste e melancólico da melodia juntamente com uma letra forte e marcante, acumulado pelo facto de eu a interpretar com uma alma de fadista... ou se, por outro lado, se ficou a dever a quantidades difíceis de mensurar de alcool que ela bebeu antes...

(curioso que penso nisto... lembro-me que alguem se vomitou todo nessa noite, mas não me lembro quem foi...)

Bem, mas hoje foi então o dia que acabei por deitar por terra muitos dos meus mitos de infância e resolvi fazer uma pesquisa profunda sobre o faduncho quando tenho mais um desapontamento na vida:

"O fado da mãezinha" afinal é o fado do "Paizinho"!!

Mas pronto, afinal este é mesmo só um promenor sem importância nenhuma... e com o casamento gay, este faduncho deve acompanhar os tempos e pronto... O pai a bater na mãe é uma coisa do século passado... agora o que está a dar é o pai a bater no outro pai que Às vezes faz de mãe... ou vice-versa... (seja lá "vice-versa" o que quer que seja numa relação gay...)

Deixo-vos a letra do fado (gentilmente copiada do blog fadosdofado.blospot.com ). Parece lamechas mas vou tentar encontrar a música e postar aqui no blog na barra lateral ou algo que o valha...

Abraços Moinantes

Paizinho
*Noite desditosa*

António Fonseca / Casimiro Ramos *fado freira*
Reportório de Manuel Dias

Certa noite desditosa
No meu lar abençoado
Esta cena se passou;
Zanguei-me com minha esposa
E no momento irado
Bati-lhe, e ela chorou

Nesse momento, e por fim
Depois de tudo acabar / Entre lágrimas e ais
Alguém se abraçou a mim
E me pediu, a chorar / Paizinho não batas mais

Tive tanta piedade
Quando o ouvi dizer também / Olha que se ouve na rua
Paizinho, por caridade
Não batas na minha mãe / Tem pena, recorda a tua

Minha mãe, tanto me encanta
Foi ela que me criou / Diz chorando, a criancinha
Não batas naquela santa
Que tantas vezes tirou / Da boca dela p´ra minha

Dôr igual nunca senti
Quando vi na criancinha / Tão nobre sentir aquele
Com mil beijos prometi
Não bater mais na mãezinha / Chorando abraçado a ele

quinta-feira, setembro 23, 2010

O dia em que não morri, porque os tempos eram outros...

Curioso...

hoje tomei conhecimento através do Facebook e do blog Dias Úteis, uma infeliz (porém feliz...) história de um desencontro no primeiro dia de escola. um entrada numa carrinha errada e estava armada a confusão. Podem ler aqui neste link... aconselho mesmo a que leiam primeiro, pois ajuda a enquadrar o meu texto abaixo...

Felizmente, a filha do autor acabou por aparecer e de saúde, num ATL errado ( incrivel...) e a história acabou bem... e o ponto de vista é do pai que perde a filha, ainda que por 2 horas...

Uff... sou pai de duas meninas de 7 e 11 anos e nem quero imaginar o que ele sentiu...

Porém esta história trouxe-me à memória uma outra história que se passou comigo, no longínquo ano de 1982... Convido-vos a lerem esta minha história e poderem ter um pouco a visão do "outro lado da barricada" (o lado de quem se perdeu...), com a devida distância de quase 30 anos...

Enjoy...

Um (in)feliz (des)engano

Durante o período de escola primária, segui um percurso que se pode chamar como normal com características próprias mas sempre dentro do que se pode querer para uma criança entre os 7 e os 10 anos: bom aluno, algo distraído, reservado mas gradualmente a sair debaixo das saias da mãe e descobrir um mundo inteiro que estava à minha espera.

Vivia então num dos suburbios de Lisboa, Mem-Martins, que em 1982 ainda uma pacata aldeia em que toda a gente conhecia quase toda a gente.

Quando uma mãe (ou um pai…) é muito protectora podemos correr o risco de se criar uma criança que, logo que se veja livre dos apertos e das limitações que lhe são impostas, saia a correr porta fora e se atire de cabeça para tudo o que seja novo e desconhecido, em função da curiosidade natural que tem uma criança. Muitas destas crianças tornam-se rebeldes, rodeiam-se de más companhias e são como uma espécie de íman para sarilhos…

Seguramente que soube sair suavemente da minha “prisão dourada” e ao longo da minha escola primária fui “arrebitando”.

Com o facto de os meus pais estarem a trabalhar e de eu apenas ter escola de manhã, comecei a ter liberdade para me aventurar com os meus amigos e começar a sair da “concha” onde tinha estado tanto tempo.
E creio que esta saída progressiva desta concha me foi claramente benéfica, pois quando terminei a escola primária, que ficava praticamente no fundo da rua, fui colocado na Escola Preparatória Visconde Jeromenha, onde hoje é uma selva de betão chamada Tapada das Mercês, mas que antes era uma real Tapada, com um pinhal gigante (sim, sem prédios...).

A E.P. Visconde Jeromenha era assim uma daquelas escolas novas do novo regime, com inúmeros pavilhões, polidesportivo, campo de jogos e… ficava no meio de uma mata, sem nada por perto!
Para ir para lá, o acesso era feito em camionetas da antiga Rodoviária Nacional (aquelas brancas e cor de laranja…), e havia três linhas: Rio de Mouro, Mira Sintra e São Carlos. Ora como eu morava em São Carlos, Mem-Martins, o que tinha de fazer era apanhar uma camioneta cheia de miúdos e seguir para uma escola com ainda mais miúdos, com mais de 120 salas de aula e 9 professores para cada turma, ao contrário da minha pacata escola primária, com duas salinhas de aula e 1 professora que sempre acompanhou a minha escolaridade até então.

A minha mãe, obviamente, encheu-me a cabeça de monstros e problemas e de bandidos… uff… mas a custo, lá me foi comprar o passe e lembro-me perfeitamente do meu primeiro dia de escola.
De manhã, lá estava eu na paragem da camioneta, com mais um monte de miúdos, e quando vi que conhecia alguns deles, fiquei mais tranquilo pois pelo menos não estava completamente sozinho. Entrei para a camioneta e como era das primeiras paragens ainda dava para arranjar lugar sentado, mas ao longo do percurso, a coisa foi enchendo, enchendo, que comecei a ficar preocupado com a quantidade de gente que ali estava e que eu nem fazia ideia quem eram.
Cheguei à escola e fiquei completamente do tamanho de uma ervilha: eram milhares de crianças de todas as cores, formas e feitios e eu não fazia a menor ideia quem eram, como se chamavam nem como eu havia de me integrar. Encontrei com grande dificuldade a sala de aula onde tive a minha apresentação com a directora de turma. Era a minha professora de inglês o que me deixou um pouco mais tranquilo porque era uma disciplina que eu ansiava muito por ter. Explicou-nos como as coisas se processavam dentro da escola, um pequeno mapa com os números das salas e as suas localizações (muito útil…) e sobretudo era uma pessoa simpática. Até mais simpática que a minha professora da primária… e bem mais nova!

Nesse dia tivemos mais 4 aulas de apresentação e as coisas foram correndo na medida do possível. Os intervalos de hora a hora eram meio estranhos pois não sabia bem o que fazer nem conhecia ninguém na minha turma. Sentia-me meio deslocado e do género de quando entramos num elevador com outra a pessoa e não sabemos bem o que dizer… Aqueles silêncios desconfortáveis…

As aulas acabaram pelo meio-dia e nesse dia não tinha aulas de tarde pelo que agora restava-me voltar para casa e esperar que o percurso inverso fosse tranquilo e sem percalços.
A paragem das camionetas era no largo em frente à escola e alinhavam-se em 3 paragens. Quando cheguei vi duas camionetas completamente cheias e uma delas ainda com lugar para sentar. Por isso, não hesitei e, entrei e sentei-me. O motorista chegou e em pouco tempo estávamos a andar. No entanto, achei algo estranho o facto de não estar a reconhecer o caminho, mas como nunca tinha necessidade de estar atento a caminhos ou estradas antes, admiti a possibilidade de estar a fazer um percurso diferente, mas com o destino que pretendia.
No entanto, a camioneta chegou a uma paragem onde saiu toda a gente e o motorista, ao ver-me sentado ainda, disse-me que era a última e que tinha de sair.

Fiquei em pânico, quase paralisado e subiu-me todo o sangue à cabeça.

Saí da camioneta e não fazia a menor ideia onde estava! Foi então que descobri que tinha apanhado a camioneta errada!

Olhei em volta e estava completamente perdido, num sitio chamado Rio de Mouro, a mais de 10 kms da minha casa e não fazia a menor ideia de como sair dali.

Pela primeira vez na minha vida estava dependente apenas de mim e das decisões que tinha de tomar. E Foi nesse preciso momento da minha vida que estava numa encruzilhada e tive de escolher para que lado havia de seguir.
Voltei à paragem onde estava a camioneta e perguntei a um motorista como fazia para ir para Mem-martins e ele disse que havia uma camioneta que saía de Rio de Mouro para Mem-Martins, de meia em meia hora.

OK! Estava safo…

Esperei pela camioneta, vi que dizia “Mem-Martins”, e ao entrar mostrei o meu passe e o motorista mas aí ele disse-me que aquele passe não servia para utilizar aquela camioneta… Era um passe escolar e ainda por cima não era para aquele percurso.

Uff… outra vez perdido… estava a desesperar…

Enchi o peito de ar e do fundo da minha até então timidez, perguntei-lhe então como podia fazer pois o queria era ir para Mem-Martins, pois tinha-me enganado na camioneta quando saí da escola e estava a ficar aflito…
Devo ter sido bastante convincente pois o senhor foi bastante simpático e foi comigo até à paragem da camioneta que voltava para a escola. Falou com o colega e disse-lhe para que me levasse de volta à Escola e que me deixasse usar o meu passe (que até não dava para aquele percurso…) e que quando lá chegasse me dissesse qual era a camioneta certa para ir para Mem-Martins.
Assim foi, voltei à escola, apanhei a camioneta certa e reconheci o percurso, e em 25 minutos estava na paragem ao pé de minha casa. Corri para casa, com “borboletas na barriga” e feliz por ter ultrapassado aquela dificuldade. A aventura tinha acabado, mas na realidade, outra mais grandiosa tinha começado para mim: o facto de passar a encarar a minha vida de uma forma muito mais abrangente e perceber que há mais mundo para além do nosso pequeno bairro...

No dia seguinte, nada mais me pareceu tão difícil, nem a escola, nem as viagens, nem os colegas, as salas, os professores... porque tinha passado por uma experiência no dia anterior que, não obstante as dificuldades, o medo que senti, o pânico, transmitiu-me uma coisa que eu nem sabia que tinha: Confiança. E uma pessoa confiante é capaz de fazer qualquer coisa… mesmo uma criança de 10 anos.

E em poucos dias fiz novos amigos, integrei-me e fiquei por dois anos naquela escola, sem mais enganos de camionetas. Outros enganos vieram, é verdade, mas de transportes, nunca mais me enganei.

terça-feira, abril 20, 2010

O Meu Photo Blog + O Livro do Moinantes



Caros

Tenho estado ausente da moinada mas voltei com um novo site de fotografia.
Sou um bocado tosco nas fotos mas ainda assim, quero partilhar com todos vocês algumas coisitas que vou tirando...

Assim podem visitar-me também em http://www.wix.com/arthurjohnalves/arthuralves

Em breve conto ter o meu próprio dominio mas até lá este é o caminho...

Apareçam, deixem mensagens e sugestões... e espero que se divirtam, como sempre...


Abraços
Moinantes

segunda-feira, fevereiro 08, 2010

Que mais será preciso?


Temos um tipo que diz que é engenheiro mas afinal não é.

Esse mesmo tipo é o que fez o inglês técnico a um domingo na Indepedente, por fax.

O mesmo tipo que num dia aparece num documento oficial da Assembleia da República designando-se como "Engenheiro" e no outro dia, nesse mesmo documento, já não aparece como "Engenheiro".

Esse mesmo tipo é também o que assinava os projectos numa capital de distrito do interior do país, mas que na realidade não os fazia.

É exactamente o mesmo tipo que aparentemente recebeu "luvas" para facilitar a construção de um famoso Outlett junto ao estuário do Tejo.

É também, o mesmo tipo aparentemente tinha o gabinete do Presidente da República sobre escuta.

O mesmíssimo tipo que, dia 19 de Junho de 2009, agora que se conhecem as escutas do caso "Face Oculta", ao ser informado dos movimentos de bastidores pelos seus boys para a PT adquirir a TVI e correr com o casal Moniz/Guedes, se mostrava "bem disposto..."

Por acaso, é o mesmo tipo que disse no dia 24 de Junho de 2009 (5 dias depois, sim...) após sessão "solene" na Assembleia da República, que nada sabia sobre as iniciativas da PT vir a adquirir a TVI.


Ah, pois é... e é também o mesmo tipo que, num restaurante de um hotel da capital, disse que o "o Crespo é um problema que se tem de solucionar", após um artigo bastante crítico do Mário Crespo, em relação a esse mesmo tipo.


Esse tipo move influências que passam pelo Presidente do STJ, Noronha do Nascimento, que o levaram a solicitar a destruíção de escutas onde se falava abertamente do "Chefe" a orquestrar um plano para controlar a Comunicação Social, à boa imagem do Chávez.

O que esse tipo não sabia é que o Noronha podia mandar destruir as provas alegando o que quisesse (no caso foi que "não havia indícios de matéria crimanal..."), mas não podia mandar destruir as do processo de Aveiro, onde o Noronha não pode meter o "bedelho". E como o Juíz do processo não deve ser parvo e detectou matéria que revelava indícios demasiado graves, não permitiu que a coisa fosse abafada.


E no fim, acabmos com esse tipo a vir dizer que "era o que falatava era ele ter de comentar peças de jornalismo de fechadura..."


Quanto à minha pergunta do inicio do post, deixo a resposta no ar.



Nota final e mais uma pergunta:

E se este "tipo" se chamasse Pedro Santana Lopes e o Presidente da República se chamasse Jorge Sampaio?





quarta-feira, novembro 25, 2009

Se não houvesse internet...

Se não houvesse Internet...



Era assim que recebíamos virus


era assim que procurávamos pornografia...



Era para isto que usávamos o IPhone...


Era assim que arranjávamos as séries completas


Era assim que trocávamos conhecimentos com outras pessoas...


Era assim que víamos filmes...



Era assim que a industria da pornografia ganhava dinheiro...
Por outro lado, era também assim que eu não tinha este blog de parvoíce e este post idiota...

sábado, novembro 14, 2009

A Face Oculta (...da estupidez)


Ontem à noite vinha no carro e, como habitualmente faço às sextas feiras, ouço o programa "Contraditório", na Antena 1, com a participação dos comentadores de política Carlos Magno, Luis Delgado e Ana Sá Lopes.

Ontem, em função do recente caso Face Oculta onde existe uma celeuma sobre umas escutas realizadas ao administrador do BCP e ex-ministro Armando Vara em que se detectou algumas conversas menos claras sobre assuntos algo "ocultos" e que envolvem o "nosso" primeiro ministro José Sócrates, o tema proposto para ser avaliado pelo quadro de comentadores não podia deixar de ser esse.

De acordo com a lei das escutas, alterada após o sobejamente conhecido caso das escutas ao então Presidente da República Jorge Sampaio, existem 3 figuras de estado que só poderão ser colocadas directamente sob escuta por ordem do Presidente do Supremo Tribunal de Justiça: o Presidente da República, o Presidente da Assembleia da República e o Primeiro-Ministro.

No programa que atrás referi, fiquei atónito com a irresponsabilidade de dois dos comentadores (Carlos Magno e Luis Delgado) e pela falta de conhecimento, jurídico (que nenhum deles é obrigado a ter...) e de normal senso comum (que todos devemos ter...). Segundo estes dois senhores, as escutas realizadas ao Armando Vara e onde aparecem por várias vezes conversas com o (ainda) Primeiro Ministro José Sócrates são ilegais à luz da lei e que não devem ser consideradas em nenhum aspecto, sob nenhuma perspectiva, seja ela judicial ou politica...

O Sr Luis Delgado, chegou mesmo ao cúmulo de, dizer qualquer coisa do género: "O responsável pela execução das escutas, ao aperceber-se que o escutado estava a falar com o Primeiro ministro devia dizer 'Alto!!' e parar de imediato com a escuta e e dizer a quem realiza as escutas que, sempre que aquele número fosse contactado, a escuta devia ser imediatamente desligada." ao que o Sr. Carlos Magno acrescentou ainda qualquer coisa como "um cavalheiro, há duas coisas que não faz: é "fazer"pelas pernas abaixo e ouvir escutas".

Mais acrescentaram estas duas almas iluminadas que, obviamente que as escutas sendo ilegais, não só não servem de prova em sede de competência judical, como não deve ser retirada nenhuma consequência politica...

?!?!?

Mas está tudo parvo, ou quê?!?

?!?!?

Como é que é possivel que, dois homens que eu considero inteligentes, possam ter a sua visão toldada da razão e acreditarem no que dizem?!? Só uma falta de conhecimento e incompetência sem descrição pode justificar (mas não desculpar...) um comentário ou mesmo uma opinião como a que eles deram na rádio pública...

Passo a explicar:

A letra da lei diz que, no caso do Primeiro Ministro, Presidente da República e Presidente da Assembleia da República, podem ter os seus aparelhos de comunicação sobre escuta através de mandatos assinados pelo Presidente do Supremo Tribunal de Justiça. No entanto, não diz que, nenhuma dessas figuras não possa ser apanhado numa escuta a uma segunda entidade. E muito menos diz que ele não pode ser escutado nestas circunstâncias. Nem sequer diz que o responsavel das escutas deva dizer 'Alto!!' e parar a escuta.

A isto chama-se conhecimento fortuíta e, se dela se consegue extraír matéria que resulta na identificação de matéria criminal (...CRIME...)..., só se pode pedir ao Sr PGR: Acuse-se!!

E com certeza que, o Primeiro Ministro, caso tenha sido escutado a conjecturar ou a falar de matéria que determine que praticou ou iria praticar um crime, tem de ser julgado por isso como qualquer outro cidadão...

E depois temos a outra parte: a responsabilidade politica.

Se, por mera especulação uma vez que não é publico o teor das conversas, o Primeiro Ministro disse ao Armando Vara:
"Eh pá, a malta tem de dar um jeito para resolver esses assunto ao nosso amigo. Eu falo com a Ana Paula (Vitorino) e vejo se põe o gajo a andar da Refer. E quanto à PT comprar a TVI, vou ver o que posso fazer pois aquel vaca de boca grande vai pagar por tudo o que andou a dizer de mim..."

Alguém consegue encontrar aqui matéria para processo crime?

Diria que poderia haver tráfico de influências e abuso de poder... mas até isso eu dou de barato...

Mas... e politicamente?!? Sejam as escutas legais, ilegais ou de que forma for, alguém é capaz de achar que este individuo consegue manter carácter ou idoneadade para continuar a ser Primeiro Ministro de um país, ainda que esse país seja Portugal?


Vou deixar uma história ficional como um exemplo, para que os Srs. Magno e Delgado me contradigam, se assim o desejarem, neste aspecto...


Suponham que eu sou professor na mesma comunidade do Sr Magno e do Sr Delgado e lecciono na escola dos seu filhos ou netos.

Alguém, de uma forma subrepticia, obtém uma gravação vídeo de mim, na minha casa, a dizer: "Eu sou um pedófilo e lá na minha escola já comi um monte de crianças..."

Pergunta 1:
O ministério Público tem matéria para me acusar do crime de pedófilia?
Resposta:
Não. A prova foi obtida de forma ilegal e não pode ser considerada e deve ser ignorada.

Pergunta 2:
Tenho condições profissionais perante a sociedade escolar e não só, para continuar a realizar as minhas funções de professor?
Resposta:

_____________.

Esta resposta eu deixo em branco e gostava que fosse respondida pelos "pais" Delgado e Magno que, nesta minha história, tinham os seu filhos na escola onde eu leccionava.

Permitiam V.Exas que eu, pedófilo confesso, apesar da prova ter sido de forma ilegal, continuasse a estar perto do vosso filhos e a cuidar da sua educação? Não me parece pois não?

Pois é. Não há matéria para acusação criminal mas há que retirar responsabilidade "política"...

Assim, o único ponto de diferença entre esta história de ficção e a história da Face Oculta, é que as provas obtidas através das escutas ao Armando Vara não foram obtidas de forma ilegal. O telefone escutado era o do Armando Vara e o José Sócrates foi escutado no âmbito de uma escuta perfeitamente legal.

Assim, o nosso eventual corrupto Primeiro Ministro não só deve ser julgado por todas as patifarias que possa ter feito como poderá sem sombra de dúvidas ser acusado com base nas escutas, que são perfeitamente legais, como tão ou mais importante, deve aceitar imediatamente todas as consequências politicas deste caso e apresentar a sua demissão ao Presidente da República.

Se não, temos aqui um caso parecido (com as devidas diferenças em importância...) com o do Valentim Loureiro e do Pinto da Costa, onde existem escutas e gravações destes individuos a corromper árbitros de futebol com dinheiro e favores sexuais de mulheres e o único argumento que eles apresentam é que a forma como obtiveram a prova é ilegal. Ou seja, nunca os ouvi dizer que aquilo não foi verdade... apenas argumentam que não podem ser julgados porque a prova foi obtida de forma ilegal.
Quanto ao Sr Magno e ao Sr. Delgado, fica o meu conselho:

Leiam, informem-se junto de juristas, estudem os casos... e depois opinem. Não se limitem a defender interesses bacocos de crença politica e a pregarem cretinices a quem vos ouve e está ainda menos informado que vós e consequentemente recebe a informação de forma deturpada, por vossa exclusiva responsabilidade.

V.Exas, enquanto figuras públicas e comentadores da nossa rádio pública (sim... paga por mim e por nós todos...) temos o direito de ser informados, mas bem informados. E neste caso em concreto, por manifesta incompetência de V. Exas, fomos muito mal informados...

Apetece-me deixar-vos com uma frase do ex-candidato à presidência da República e actual manager do cabaret Maxim's, Manuel João Vieira:


"Peguem na lancheira e vão levar o almoço ao pai..."

e levem o Sócrates com vocês, por favor...