segunda-feira, março 23, 2009

sábado, março 14, 2009

Top Gun By Tarantino




Pois é, camaradas, hoje caiu por terra um dos meus mitos da adolescência...

Quando eu era miúdo, era assim:

Não tinha consciência social, não tinha conceitos do que seria a realidade da vida, que a minha vida se resumia a estar acordado ou estar a dormir, de beber cervejas ou TriNaranjus de laranja, que era um puto pouco imberbe, com um buço à Charles Bronson, inexperiente, sexualmente subaproveitado, com cara de idiota, que tinha a mania que era giro, que andava de bicicleta todo o dia e armado em parvo, de 16 anos (*), e que tinha a mania que era o Top Gun.

(*) - aponto apenas que todos os adjectivos que me descrevem se mantêm perfeitamente actuais com excepção do buço à Charles Bronson que desapareceu e da idade que passou de 16 para 37...


O Top Gun, para quem não sabe, foi um filme que apareceu em meados dos anos 80 daqueles de aviões e de tipos de óculos escuros, casacos de aviador que conduziam motas rápidas e eram pilotos de aviões.

Um filmito daqueles que actualmente se podem comparar a um Camp Rock ou a uma Hanna Montana, mas com sexo e asneiras.

Mas quando eu era miúdo, aquilo era o máximo... e toda a gente queria ser o Top Gun... e eu também.

No entanto, ao fim de mais de 20 anos, descobri que afinal o Top Gun não é um filme de gajos másculos que sacam miúdas nos bares a cantar músicas dos Righteous Brothers nem conseguem ter sexo consumado (mesmo consumado, com "coisanço" e tudo...) com tipas louras e giras e pilotar máquinas caras e velozes. O Top Gun é antes sim uma sublimar história de homosexualidade bem ao jeito de um Brokeback Mountain...

E quem é que descobriu isto? Nada mais nada menos que o meu guru espiritual, Quentin Tarantino.
Quentin Tarantino, um visionário que está para além do seu tempo, muito provavelmente devido ao consumo abusivo de substâncias alucinógeneas ilegais, consegui ver o Top Gun de uma forma completamente diferente.

Em vez de ver um monte de testosterona com óculos escuros e casacos de cabedal, ansiosos de sexo a dois (sim, porque sexo a um tem outro nome...) e de demonstrarem a sua virilidade com todos os adereços, Tarantino descobre um bando de paneleirotes reprimidos sem coragem de se assumirem e que despejam as suas frustações em aviões e motas de alta cilindrada.

Assim, se algum de vocês, tal como eu, se sentiu enganado pelo Tony Scott ( o realizador de Top Gun) e só agora descobriu que, em vez de ser um macho infeliz poderia ter sido um alegre paneleiro, lamento que pensem assim, mas ainda vão a tempo. Assumam-se, gaita...

Quanto a mim, lamentavelmente, já não me sinto com disposição de mudar a agulha e passar-me para o inimigo, pelo que me resta seguir o meu infeliz caminho de macho alfa, mas sem fêmea nenhuma... nem alfa, nem beta nem zeta... o máximo que posso esperar talvez seja uma femêa Visa ou Unibanco... e mesmo assim, não é fácil, pois elas desconfiam sempre de tipos vestidos de casaco de aviador e óculos RayBan...

Apenas fico apreensivo com todos aqueles miúdos de 16 anos que hoje vejo com cabelos à Jonas Brothers e que, quando chegarem aos 37 anos acabem por descobrir que afinal, o tipo da guitarra "abafava" a palhinha aos outros dois e que a Hanna Montana afinal é uma lésbica assumida danadinha por uma boa lingere de silicone... Abram os olhos, miúdos...

Pois bem, sigam então este link abaixo para um pequeno video de pouco mais de 2 minutos onde poderão ver a magnifica explicação do Tarantino, onde ele desmonta o Top Gun de uma forma simplesmente sublime.

Abraços Moinantes

quinta-feira, fevereiro 19, 2009

Ao meu amigo Malheiro: Obrigado


Pois é amigos, ao fim de largos anos a fugir com o rabinho à seringa, acabei hoje por deixar gigantescamente satisfeito o meu amigo Luis Malheiro, aliás, Comandante Luis Malheiro.

Isto, porquê?

Bom, talvez seja importante localizar a coisa no espaço e no tempo.

Sempre fui um moderado amante de simuladores de computador: carros, aviões, barcos, e até comboios. Agrada-me sobretudo o realismo que esse programas transmitem e que nos transportam para realidades virtuais onde podemos fazer coisas que normalmente ou sem algum investimento (de tempo e muitas vezes de dinheiro) não conseguiríamos fazer.

O Luis Malheiro, que era o meu director na empresa onde trabalhei, sempre foi um fanático do Microsoft Flight Simulator 9 e, através dele e do seu entusiasmo, aperfeiçoei mais as minhas técnicas de voo nesse jogo e aprendi a jogar nele de uma forma mais realista e eficiente.
O Malheiro ensinou-me conceitos básicos de voo, como levantar voo, como virar, como aterrar, como entender os inúmeros instrumentos de um avião tão complexo como um Boeing 747 ou um Airbus A310. E com estes conceitos, comecei a gostar cada vez mais do voo (simulado) e de gastarmos boas e longas horas a jogar em rede o Microsoft Flight Simulator 9 e Microsoft Flight Simulator X, onde voávamos e nos divertiamos à grande.

Há uns 4 ou 5 anos atrás, o Luis Malheiro (meu chefe, na altura...), chegou-se ao pé de mim e disse-me: "Vou tirar o curso de piloto de ultraleves". Fiquei contente por ele pois sabia que era um projecto que ele ambicionava e estava a ter a iniciativa de concretizar uma realização pessoal.
No entanto ele disse-me também "E depois, quando tiver a licença, vens voar comigo!"

Aí a coisa parou logo!! Isso é que não... tirar o Moinantes do chão e ainda por cima numa caranguejola com motor de corta-relvas, isso é que não!!

Ele concluiu o curso algum tempo depois, realizou a horas de voo a solo que assim o obrigaram e quando pode, veio logo ter comigo e disse: "Vá pá, já posso levar passageiros... quando é que vens voar comigo??"

Bom, isto de voar com ele no Flight Simulator era uma coisa, mas ir voar mesmo a sério, era outra e, por ser um cobarde miserável, escapei-me sempre.

Em Janeiro de 2007, o Luis Malheiro saiu da empresa e a vida acabou por levá-lo a abraçar um projecto no Campo de Voo de Benavente, onde sempre teve e tem o seu avião, e hoje em dia tem responsabilidades no campo mas sempre que pode, dá uma escapadinha para voar.
Pela relação profissional muito boa que mantivémos ao longo de 7 anos de trabalho juntos, acabámos por desenvolver laços de amizade que muito prezo, pois é uma pessoa de luxo.
E por isso, era hábito ligar-me e chatear-me sempre "então pá, quando é que vens voar comigo?".
E eu..., pisga-te Moinantes... Ora era a máquina fotográfica que estava avariada, ou era porque estava doente, ou ... ou... porque ... porque tinha de me ir embora... enfim, tudo eram boas desculpas para não tirar o meu coiro do chão, a bordo daquelas máquinas diabólicas...

No entanto, a minha vida também me fez dar uma volta grande e começar a vê-la de outros prismas. Se eu gosto imenso de voar, se até tenho um espirito aventureiro, porque raio estava com mariquices com esta coisa?

E então, num dos telefonemas que trocamos de vez em quando para sabermos como vão as coisas, resolvi avançar :"Malheiro... marca um dia e vou voar contigo!"
Claro que está que o Malheiro soltou uma daquelas altas gargalhas que, quem o conhece, sabe como são... e disse: "Isso queria eu ver!!!"

Pois bem, hoje dia 19 de Fevereiro de 2008 fui voar com o Comandante Malheiro, que me fez um passeio inesquecível pelas planicies ribatejanas e me fez pensar "Porque raio levei tanto tambo a vir fazer este voo??"

Ao meu amigo Malheiro, fica então o meu obrigado pelo magnifico voo de hoje e agora, olha... das próximas vezes que for a CVB, garantidamente que não passamos sem um voltinha de "caraguejola com motor de corta relva..." eh!eh!eh!eh!

Um abraço e algumas fotos...



sábado, fevereiro 14, 2009

World Community Grid - 1.000.000 de pontos


Hoje há mais uma razão para o Moinantes estar de parabéns... de parabéns pelo facto de ontem mesmo ter atingido um bonito número de pontos no programa do World Community Grid.

O World Community Grid é uma comunidade de investigação que utiliza o sistema de grelhas de Pc's. Basicamente que utiliza a computação do seu PC pessoal durante o período de inactividade para receber de servidores de investigação parcelas de ficheiros resultados de investigação em diversas áreas como o virus da SIDA, o cancro ou a descodificação do Proteoma Humano, entre outros.
Assim, enquanto vai fazer um xixi, fumar um cigarro ou ter relações sexuais (para quem tem essa sorte...), de cada vez que deixa o seu PC ligado sem lhe estar a mexer, pode estar a contribuir para qualquer uma destas causas...
Claro está que, quem deixa o PC parado para ter relações sexuais mas sofre de ejaculação precoce (nos homens) ou frigidez (nas mulheres), o tempo de computação deverá ser curto... Neste caso, creio que o vosso sucesso no WCG em termos de pontos será miserável... levarão uns bons 20 ou 30 anos a fazer 1.000.000 de pontos, ao contrário aqui do garanhão do Moinantes que atingiu o milhão em menos de 3 anitos... oh yeah!!
(Nota: não respondo a comentários sobre o facto deste aparte ser considerado publicidade enganosa...)

O World Community Grid constitui assim um programa de computação em grelha e, tem associado um sistema de atribuíção de pontos, em função da quantidade e qualidade dos dados computados pelo(s) seu(s) PC(s)...

O Moinantes, também pelo seu carácter humanista, juntou-se assim a este projecto à cerca de 2 anos e meio e ontem atingiu a fantástica soma de 1.000.000 de pontos, o que faz do Moinantes estar entre os 14.000 utilizadores mais contributivos em todo o mundo e em 48º lugar no ranking nacional.
Se em Portugal os utilizadores são pouco menos de 1500 com perto de 6.000 pc's , em todo o mundo são mais de 450.000 com mais de 1.000.000 de computadores...
Ao longo deste 2 anos e picos tive computação correspondente 3:187:18:11:24 ( 3 anos, 187 dias, 18 horas, 1 minutos e 24 segundos), pois tenho vários pc's a fazerem computação (os de casa, do trabalho, etc...)...
Para verem a força da coisa, o total de computação por dia do WCG é de mais 135 anos!!... ou seja, conseguem analisar em um dia o que conseguiria um simples PC fazer em 135 anos, 24 horas por dia... é simplesmente fantástico...

Deixo mais uma vez aqui o apelo aos vários moinantes e restantes ruminantes de 2 ou mais patas que visitam este balde de cócó que é este blog, que se juntem a este projecto... É gratuito, não custa nada a inscrevre-se e sobretudo não sobrecarrega o vosso PC pois apenas actua como um screen saver (protecção de ecrã)... assim que retomem o controlo do vosso pc, o processamento fica parado e não torna o PC mais lento...
Vá lá, em vez de terem as porras das estrelas ou janelas a voar ou as fotografias deprimentes das férias passadas, tenham uma coisa que faz sentido...

Fica o link http://www.worldcommunitygrid.com/ e juntem-se à equipa do moinantes em
http://www.worldcommunitygrid.org/reg/viewRegister.do?teamID=14RXM39WQ1... e se precisarem de ajuda, avisem que eu ajudo a instalar... e de borla...

Assim, no vosso trabalho, enquanto estiverem a coçar micoses antigas e a ronhar, ponham pelo menos os vosso PC's a fazer alguma coisa... ou seja...Façam alguma coisa enquanto não fazem nada...

E se o chefe chegar e perguntar o que estão a fazer podem sempre responder que estão a fazer investigação... fixe, né?

sexta-feira, fevereiro 13, 2009

João Aguardela (1969-2009)


Com 39 anos, partiu, mais uma vitima do cancro...

Todos claramente se lembram da sua vida de marinheiro ou o vamos ao circo... outros lembrar-se-ão do seu projecto A Naifa...

Eu, pessoalmente, prefiro lembrar antes que "Ela sorriu, e ele foi atrás..."
"ela despiu-o, e ela o satisfaz..."

Recordo antes que "Passa a noite e passa o tempo devagar"
"já é dia, que já é hora de voltar"

Porque...

"Aqui ao luar, ao pé de ti, ao pé do mar"
"Só o sonho fica, só ele pode ficar..."

E é o que ficará para sempre, amigo... ficará para sempre o sonho...

Boa viagem, João, até qualquer dia...

terça-feira, fevereiro 10, 2009

Parabéns, Moinantes...



Hoje, enquanto dava um jeito em alguns posts percebi uma coisa fantástica: No passado dia 7 de Fevereiro, o Moinantes fez 4 anos(!!).

Quando, em 7 de Fevereiro de 2005, resolvi criar um blog, a minha única intenção era fundamentalmente escrever sobre todas aquelas parvoíces que jorram abundantemente deste esgoto ideológico que é a minha cabeça.

Tinha montes de idéias, muitas críticas, muitas parvoíces... e ainda tenho...

Ao longo destes 4 anos de emissões (semi) regulares, o Moinantes foi sofrendo transformações: o blog foi-se mudando em termos de conteúdo e eu fui sofrendo mutações, talvez resultado de radiações emitidas pelo meu computador e pelo facto de amiúde snifar escapes dos autocarros da Carris...

Vou fazer aqui um parentesis sobre este assunto, pois apraz-me dizer algo:

Os gases de escape dos autocarros da Carris que deixaram de fazer mal aos pulmões e passaram a fazer mal ao colesterol...

Porquê? Com os novos autocarros a biodiesel, quem é que, ao passar o 81 junto ao Beato, já não sentiu aquele cheirinho a óleo de fritar batatas em vez daquelas saudosas baforadas pretas de monóxido de carbono?
Pois é, a velha instituíção da "baforada preta" está a ser cuidadosamente extinta, caminhando para o seu fim. O velhos autocarros a cheirar a gasóleo e a aquele mix de catinga, Old Spice e couve lombarda cozida..., meus amigos, já eram!!

Agora, são autocarros com ar-condicionado, estofos confortáveis e que não fazem baforadas pretas... fazem baforadas a óleo de fritar batatas!! Este mundo está todo trocado...

Fim de parentesis.

Voltando aos 4 anos do Moinantes, e analizando alguns posts ao longo do tempo, é engraçado como eu me fui transformando e sobretudo lembrar-me do meu estado de espírito aquando a redacção de cada post. É um exercício engraçado recordar momentos de alegria, momentos de tristeza, estados de graça e de desgraça, ausências e retornos, dores e alegrias...

O Moinantes foi-se tornando ao longo dos tempos um ponto amigo onde escrevo as minhas alegrias, as minhas amarguras, onde me confesso e me demonstro. E isto, meus amigos, resume-se a duas conclusões:
- Que os blogs são mecanismos engraçados para nos demonstrarmos;
- Que sou um triste, pois em vez de falar com um amigo, escrevo num blog.

Mas ainda assim, e assumindo a minha condição de "triste", confesso que é mais fácil para mim "falar" com o blog para quem me quiser ouvir/ler, do que abrir-me com um amigo.
(Nota de moinante: "abrir-me", neste contexto, não tem qualquer conotação com flatulência.)

E sobretudo acho engraçado quando amigos me ligam e me perguntam pelos meus pais, ou se estou melhor, ou se já resolvi certo assunto. Quando isso acontece, pergunto como sabiam disso e dizem-me "Sabes, li no teu blog..."... E fico assim a perceber que afinal ainda há gente a visitar o meu blog, e que ele serve, quanto mais não seja, para os meus amigos saberem que estou vivo e a escrever...

Em jeito de conclusão, e aproveitando a linha de racíocinio dos meus amigos, quero apenas deixar um forte abraço aos visitantes regulares (aquelas 2 ou 3 pessoas que ainda conseguem conter o vómito ou que usam o Moinantes como laxante regulador do trânsito intestinal...) e esperar que vos tenha servido bem ao longo destes últimos 4 anos, com momentos de seriedade, de completa idiotice, de alegrias e de tristezas, e que eu consiga continuar a manter o nível no mesmo ponto que esteve nos últimos anos... ou seja, algures entre a lixeira de Vale Milhaços e a ETAR de Alcântara...

Assim, abraço aos rapazes e beijinhos às meninas, sendo este beijinhos aplicados nas meninas onde melhor vos servir ou vos der mais alegrias e vos transmita sensações de bem estar e momentos de significante relaxamento emocional... certo?

Só para esclarecer bem, os abraços aos rapazes são só abraços e pronto... daqueles normais entre homens... tipo 2 segundos só e mais nada, tá?...nada de paneleirices, ok?

Fiquem bem e façam o favor de ser felizes...

Moinantes

domingo, fevereiro 08, 2009

Ne me quitte pas - Jacques Brel



Uma das canções da minha vida...

A letra é simplesmente das mais belas coisas que já se fez...

Composta e escrita em 1959 por Brel, é dedicada a Suzanne Gabrielle, sua ex-mulher, durante a sua separação...
Pode ver aqui no YouTube (http://www.youtube.com/watch?v=zIP9UHtvk1g&NR=1), a mais bela das interpretações de Brel, com a mais fogosa e sentida interpretação de uma música que alguma vez alguém teve, ou terá... e com tradução em Portugês, para quem não é familiar com a língua francesa...

De cortar a respiração...


"Ne me quitte pas" - Jacques Brel


Ne me quitte pas
Il faut oublier
Tout peut s'oublier
Qui s'enfuit deja
Oublier le temps
Des malentendus
Et le temps perdu
A savoir comment
Oublier ces heures
Qui tuaient parfois
A coups de pourquoi
Le coeur du bonheur
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas...

Moi je t'offrirai
Des perles du pluie
Venues de pays
Oui, il ne pleut pas
Je creus'rai la terre
Jusqu'apres ma mort
Pour couvrir ton corps
D'or et de lumière
Je f'rai un domaine
Où l'amour s'ra roi
Où l'amour s'ra loi
Où tu seras reine
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas

Ne me quitte pas
Je t'inventerai
Des mots insenssé
Que tu comprendras
Je te parlerai
De ces amants la
Qui ont vu deux fois
Leurs coeurs s'embrasser
Je te racontré
L'histoire de ce roi
Mort de n'avoir pas
Pu te rencontrer
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas...

On a vu souvent
Rejaillir le feu
De l'ancien volcan
Qu'on croyait trop vieux
Il est parait il
Des terres brulées
Donnant plus de blé
Qu'un meilleur avril
Et quand vient le soir
Pour qu'un ciel flamboie
Le rouge et le noir
Ne s'épousent ils pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas...

Ne me quitte pas
Je n'vais plus pleurer
Je n'vais plus parler
Je me cacherai la
A te regarder
Danser et sourire
Et t'écouter
Chanter et puis rire
Laisse'moi devenir
L'ombre de ton ombre
L'ombre de ta main
L'ombre de ton chien
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas
Ne me quitte pas...

sexta-feira, janeiro 23, 2009

37 anos - O Ano da Busca - The Quest

Hoje é um dia engraçado, que bem visto não acho graça nenhuma...

Faço hoje 37 anos e pela primeira vez em muito tempo, acordei sozinho, numa casa sozinha, sem ninguém a dar-me os parabéns.
Nos últimos anos o meu dia de aniversário começava sempre com um beijo de bom dia, com as minhas filhas a pularem na cama e uma sensação de preenchimento...
Hoje não... hoje foi uma triste sensação de vazio.

Já recebi montes de mensagens, telefonemas e mails de parabéns mas ainda assim, sinto-me sozinho e deprimido.

Confesso que me sinto outra vez numa fase um bocado negra da minha vida, sinto-me sem rumo, sem destino, sem metas... Não consigo encontrar trabalho, estou afastado das pessoas que amo e está a chover...

Até o meu bioritmo está nas "lonas"...



No entanto, enquanto escrevia este post, o sol começou a aparecer por entre as nuvens e pode ser que seja um bom sinal de que melhores dias virão... mas entretanto, vou seguindo esta minha missão de me voltar a encontrar... e hei-de lá chegar... tenho a certeza que vou voltar a estar feliz...
Enquanto não chega, deixo-vos com uma música de Bryn Christopher, que se chama exactamente "The Quest"... é como me tenho sentido... à procura...

Podem ouvir também, se quiserem, no player que está no topo do blog. Para quem costuma ver a série da Fox "Grey's Anatomy" (Anatomia de Grey), deve reconhecer esta música pois é a música do fecho da última temporada.


The Quest

I’m leaving tonight
Going somewhere deep inside my mind
I close my eyes slowly
Flowin’ away slowly
But I know I’ll be alright
It’s coming stronger to me
And I know someone is out there
Lead the way, Lead the way
Show me the answers I need to know

What I’m gonna live for
What I’m gonna die for
Who you gonna fight for
I can’t answer that

All my love it is
It is all my love
All my life it is
I know it is a life to live lately
From above I hear
I hear the sound of them sinkin’
I feel numb, I’m alive
I know I’m getting closer

What I’m gonna live for
What I’m gonna die for
Who you gonna fight for
I can’t answer that

My life has had it’s share of troubles
And now I found a place to go
I’ve said goodbye to all my troubles
’cause now I’ve find my place to go

What I’m gonna live for
What I’m gonna die for
Who you gonna fight for
I can’t answer that
Bryn Christopher

domingo, janeiro 18, 2009

José Carlos Ary dos Santos - Estrela da Tarde

Passam hoje 25 anos da morte de um dos mais carismáticos poetas de Abril que com a força das suas palavras transmitia uma força como que reprimida a quem, ainda hoje, ouve ou lê os seus poemas.

José Carlos Ary dos Santos, construiu um conjunto de poemas para muitas canções de Festival da Canção, mas foi a sua mensagem e a forma subliminar como escrevia que a mim me marcou.

Poemas como "O Homem da Cidade" ou "Estrela da Tarde", foram marcos e, não obstante eu quase achar que "desmembrar" poemas destes seja quase um crime, queria deixar-vos uma análise pessoal sobre a fonética do poema "Estrela da Tarde".

A forma como está escrito e a maneira como Ary dos Santos manobra as palavras em função das situações, é simplesmente delicioso.

Fica aqui o poema na íntegra, leiam-no despreocupadamente e depois leiam a minha análise:


Era a tarde mais longa de todas as tardes que me acontecia
Eu esperava por ti, tu não vinhas, tardavas e eu entardecia
Era tarde, tão tarde, que a boca, tardando-lhe o beijo, mordia
Quando à boca da noite surgiste na tarde tal rosa tardia

Quando nós nos olhámos tardámos no beijo que a boca pedia
E na tarde ficámos unidos ardendo na luz que morria
Em nós dois nessa tarde em que tanto tardaste o sol amanhecia
Era tarde de mais para haver outra noite, para haver outro dia

Meu amor, meu amor
Minha estrela da tarde
Que o luar te amanheça e o meu corpo te guarde
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza
Se tu és a alegria ou se és a tristeza
Meu amor, meu amor
Eu não tenho a certeza

Foi a noite mais bela de todas as noites que me adormeceram
Dos nocturnos silêncios que à noite de aromas e beijos se encheram
Foi a noite em que os nossos dois corpos cansados não adormeceram
E da estrada mais linda da noite uma festa de fogo fizeram
Foram noites e noites que numa só noite nos aconteceram
Era o dia da noite de todas as noites que nos precederam
Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto
Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto
Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!



Análise:

Se repararem, a primeira parte do poema fala-nos da "Tarde", que reflecte o prelúdio do final, que pode ser da vida ou de um objectivo a alcançar. Essa Tarde transmite-nos a força, a ansiedade, a fúria e a vontade de "ter" ou de "viver", e para realçar esse sentimento o poeta utiliza a forma fonética dos érres, como que um gritar oprimido, uma ansiedade incontrolável, o desejo sem ponderáveis. Vou apenas extrair as palavras-chave para poderem constatar:

Tarde, esperava, tardavas, entardecia, tarde, tardando, mordia, tardia, tardámos, ardendo, morria, tarde, para haver.

Reflecte assim a "Tarde" ansiosa que antecede a "Noite" mais tranquila, o atingir dos objectivos, o adquirir, o obter, o chegar...

O poema tem uma passagem anterior à "Noite" que é a "Estrela da Tarde", aquela que chega quando ainda não é noite, no lusco fusco, o ponto de viragem. O Poeta faz neste ponto a passagem da "Tarde" para a "Noite", dos sons érre para os sons ésse.

Amor, tarde, corpo, guarde - érres

Certeza, Se tu és, se és, tristeza - ésses

Depois, na segunda parte do poema, vem a "Noite" que corresponde ao atingir do objectivo que vai terminar com a ansiedade, e com ele vem a calma, a tranquilidade e o descanso. Para esse efeito o Poeta utiliza desta vez a fonética mais suave dos sons ésses, como que um acalmar da fúria, um sussurro. Vou apenas extrair as palavras-chave para poderem avaliar:

Todas, noites, adormeceram, nocturnos, silêncios, aromas, beijos, encheram, nossos, dois, corpos, cansados, adormeceram, estrada, festa, fizeram, noites, só, nos, aconteceram, todas, precederam, mais, daqueles

No final desta segunda parte, o Poeta retoma a ansiedade com a perspectiva do abandono e o voltar da ansiedade, com um encadear do som ésse e com uma nova e única volta ao som érre, como é possível de ver nas duas últimas passagens, terminando a "Noite" de ésses com um forte érre de "morreram":

Era a noite mais clara daqueles que à noite amando se deram
E entre os braços da noite de tanto se amarem, vivendo morreram

E para o final, deixa o clímax da confusão dos sentimentos com a fúria da ausência numa outra "Tarde" que antecederá a calma e a suavidade de uma nova "Noite", misturada de forma sublime. Eis aqui primeiro os érres da "Tarde":

Eu não sei, meu amor, se o que digo é ternura, se é riso, se é pranto
É por ti que adormeço e acordo e acordado recordo no canto
Essa tarde em que tarde surgiste dum triste e profundo recanto

Para iniciar o final, volta novamente os ésses de uma outra "Noite"

Essa noite em que cedo nasceste despida de mágoa e de espanto

E a última frase do poema, a chave de ouro, é o mesclar dos sons, culminando o clímax com uma esperança de voltar a "ter", sabendo no entanto que terá que voltar a passar pelo mesmo caminho, "Tarde", "Estrela da Tarde" e "Noite":


Meu amor, nunca é tarde nem cedo para quem se quer tanto!


Esta é a minha análise "cientifica" deste magnifico poema que vos deixo o conselho de relerem agora o poema novamente, para que possam apurar o que refiro nesta minha análise.

Leia-no captando sobretudo a beleza latente nas sua palavras e nos sentidos que o poeta terá querido dar aos escrever, incorporando com os nossos próprios sentimentos e interpretações. Essa é a verdadeira essência da poesia.

Cabe-me apenas concluír dizendo que o que aqui escrevi é a minha análise e é mesmo só minha e muito própria, pois pelo menos nunca ouvi ou li nada neste sentido... Nem sequer sei, ou virei a saber, se esta era mesmo a idéia do poeta ao escrever este poema ou se a caneta o "guiou" neste caminho... mas quando falamos de Ary dos Santos, há que pensar que nada era feito ao acaso... e são muitas coincidências...

segunda-feira, janeiro 12, 2009

Moça...

Mais uma música para o meu novo album a sair brevemente (talvez nunca, mas nunca se sabe...)

Esta é com sotaque brasileiro e ainda não sei bem qual o ritmo (bossa nova ou balada lenta), mas deve ser lido com pronúncia do Brasil... :)



Moça
Moça, de sorriso aberto
que eu queria mais perto,
para meu coração, se juntar com o seu
Moça que passa dançando,
Que eu fico pensando que um dia me dê o que é seu

Moça, de vestido alegre
Como é que consegue
Me levar ao céu, só por existir
Moça, me diga p'ra onde
'cê pega esse bonde e me deixa sozinho sem ti

Moça, como é que é você?
Se eu queria viver
consigo a mais bela história de amor
Moça, que hei-de eu fazer?
pra que repare em mim e me ajude a curar esta dor...

Moça, de corpo bonito
que nem acredito
que o seu olhar se encontrou com o meu.
Moça, que passa brilhando
e eu fico pensando que um dia lhe dou o que é meu.

Letra e Música - AJ (Jan 2009)

terça-feira, janeiro 06, 2009

Fotos - Fonte da Telha

Bem, hoje apanhei mais um dia fantástico na Fonte da Telha...

Ficam mais uma fotos para se deliciarem... e fazia um frio de "rachar"...















domingo, janeiro 04, 2009

Será?

Há muita gente que não gosta do Pedro Abrunhosa...
Uns porque dizem que não canta nada;
outros porque dizem que é um vaidoso pretencioso e que não canta nada;
outros porque dizem que é um gajo do Porto e que não canta nada
e outros ainda dizem que não gostam dele porque... não canta nada!! pronto!!

Eu pelo contrário, gosto de Pedro Abrunhosa, apesar de achar que ele de facto não canta nada...
No entanto, acredito que as músicas, e sobretudo os poemas que ele canta, só fazem sentido, porque são cantados por ele... se fossem pelos Anjos, ou pelo Paulo Gonzo, ou pela Mariza, não faziam qualquer sentido...

Outro exemplo do que acabo de vos dizer são os Xutos & Pontapés: por exemplo aquela música do filme "Tentação":

"O nosso amor, de sempre/Brilhará p'ra sempre/Ai meu amor/o que eu já chorei por ti/mas sempre/p'ra sempre, vou gostar de ti..."

Zé Cabra, esse portento da música nacional, recusou-se a gravar este tema porque o achava "sem qualquer sentido e que não se encaixava dentro do género músical que ele representa...", comentou o cantor. Acredito que se ele gravasse este tema, toda a malta gozava com o homem porque as músicas dele não tinham conteúdo nem qualquer sentido...

Porém, cantadas (mas sobretudo tocadas...) pelo Xutos, a coisa soa bem e já são uma "granda malha"... e porquê? Porque há músicas (letras e/ou músicas) que "são" de cada banda pela forma como as executam... e é por isso que eu gosto de ouvir Pedro Abrunhosa.

E hoje, estava eu nas minhas tarefas domésticas, quando resolvi, para aliviar a pressão, pôr uma musiquinha e escolhi da minha playlist, Pedro Abrunhosa. E às páginas tantas toca uma música que eu sempre gostei especialmente, que é o tema "Será", que quer pela sua energia musical como que contida (parece que está prestes a "explodir" mas nunca "explode"), quer pelo magnífico poema, que encaixa deliciosamente bem na (minha) ideia de boa música...

E se há alturas da nossa vida que parece que há músicas feitas a pensar em nós... gaita, esta música e esta letra são e-x-a-c-t-a-m-e-n-t-e o que sinto neste momento... confesso que é arrepiante...

E não obstante ser um "musiqueta" de dois acordes que, aliás, até são três: Ré menor, Ré sus e Sol Menor, mas como o Ré sus é um acorde "suspendido" e de passagem, confesso que nem conto com ele... (nota de "músicólogo" da treta...), criou-se aqui um trinómio fabuloso: a letra, a música e o executante. Tirem então um destes factores ou troquem-no por outro e, por muito boa que seja a letra, a música ou o executante, todo efeito se perde... é assim que se nascem os êxito...

Deixo-vos a seguir a letra e podem ouvir a música no player no topo deste blog (basta clicarem nas setas para a esquerda ou direita até localizarem o tema...)

"Será"

Será que ainda me resta tempo contigo,
ou já te levam balas de um qualquer inimigo.
Será que soube dar-te tudo o que querias,
ou deixei-me morrer lento, no lento morrer dos dias.
Será que fiz tudo que podia fazer,
ou fui mais um cobarde, não quis ver sofrer.
Será que lá longe ainda o céu é azul,
ou já o negro cinzento confunde Norte com Sul.
Será que a tua pele ainda é macia,
ou é a mão que me treme, sem ardor nem magia.
Será que ainda te posso valer,
ou já a noite descobre a dor que encobre o prazer.
Será que é de febre este fogo,este grito cruel que da lebre faz lobo.
Será que amanhã ainda existe para ti,ou ao ver-te nos olhos te beijei e morri.
Será que lá fora os carros passam ainda,
ou estrelas caíram e qualquer sorte é benvinda.
Será que a cidade ainda está como dantes
ou cantam fantasmas e bailam gigantes.
Será que o sol se põe do lado do mar,
ou a luz que me agarra é sombra de luar.
Será que as casas cantam e as pedras do chão,
ou calou-se a montanha, rendeu-se o vulcão.
Será que sabes que hoje é domingo,
ou os dias não passam, são anjos caindo.

Será que me consegues ouvir
ou é tempo que pedes quando tentas sorrir.
Será que sabes que te trago na voz,
que o teu mundo é o meu mundo e foi feito por nós.
Será que te lembras da côr do olhar
quando juntos a noite não quer acabar.
Será que sentes esta mão que te agarra
que te prende com a força do mar contra a barra.
Será que consegues ouvir-me dizer
que te amo tanto quanto noutro dia qualquer.
Eu sei que tu estarás sempre por mim
não há noite sem dia, nem dia sem fim.
Eu sei que me queres, e me amas também
me desejas agora como nunca ninguém.

Não partas então, não me deixes sozinho
Vou beijar o teu chão e chorar o caminho.
Será...

Letra e Música - Pedro Abrunhosa

sexta-feira, dezembro 26, 2008

Esta noite quis-te aqui...

Ao fim de mais de 12 anos sem escrever nem gravar material novo, junto aqui o meu novo single...




"Esta noite"

Esta noite quis-te aqui, calma e só ao pé de mim
A contarmos um ao outro, todo o nosso frenesim
Acender todas as velas, e apagar os nossos medos
Iluminar a nossa vida, que me escapa entre os dedos

Esta noite quis-te aqui, sem reservas nem defesas
Para traçarmos novas linhas, e riscarmos incertezas
Quero juntar as nossas cartas, os dois de paus e as "manilhas"
Para baralhar e dar de novo, sem mais truques ou armadilhas

Encontrarmos aquela estrada, que nos leve até ao mar
Onde a lua nos ensine, o caminho para voltar

Esta noite quis-te aqui, sem teres nada em que pensar,
Esta noite quis-te aqui, esta noite, quis-te amar...

Letra e música de AJ (Dez 2008)

Podem ouvir a minha versão acústica (e original), no leitor de música no topo deste blog...

domingo, dezembro 21, 2008

Dr. Oliveira e Costa - Correcção

Num post anterior escevi que o Dr Oliveira e Costa e o Dr. Evil eram a mesma pessoa, no entanto confesso que, após uma análise mais detalhada, tenho de fazer uma correcção.

Na realidade, o Dr. Oliveira e Costa, ex-Presidente do BPN e Raul Indipo, membro do grupo "Duo Ouro Negro", são INDUBITAVELMENTE a mesmíssima pessoa...




Porra, é que são mesmo iguais...

terça-feira, dezembro 16, 2008

Hoje, sinto-me em paz...



Existem pessoas que fazem de tudo para nos sentirmos felizes.


Outras pessoas porém fazem-nos coisas que nos fazem sentir completamente miseráveis.

Mas algumas pessoas, pelo simples facto de existirem, fazem-nos sentir isso tudo e muito mais.



Hoje, sinto-me em paz...